O RPG, como toda literatura de massa, tem como estímulo sua produção, o mercado. O RPG existe e se espalha como coqueluche porque existe uma necessidade, cada vez maior, de retorno à ficção. A ficção é o objeto principal do desejo, o objetivo a ser alcançado, o triunfo da partida. Um bom mestre, reconhecido por seus pares, é aquele que sabe propor e costurar uma boa aventura. O RPG se constitui, assim, uma respostas a um contexto social que nega cada vez mais os ritos de passagem, a fantasia e a participação. O jogo constitui, por isso mesmo, uma iniciação, com uma nova roupagem, à contação de histórias e ao faz-de-conta. O “fazer-se mestre” obedece a um ritual de iniciação. O mestre tem de ler os livros, aprender os segredos das regras e da ambientação, convidar jogadores e demonstrar que atingiu um patamar de eficiência no jogo.
Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005

PEDAGOGIA DA IMAGINAÇÃO E MONTEIRO LOBATO

Faço parte da última geração de brasileiros que leu, de verdade, Monteiro Lobato na infância. Para uma lobatiana, A Pedagogia da Imaginação está no sangue.

Começo este post por Lobato por dois motivos: um o caráter original e empreendedor da sua obra para crianças, base para uma Pedagogia da Imaginação no Brasil. Outro porque Lobato começou o parque editorial brasileiro e eu quero comentar dois exemplos de editoras universitárias com possível e inconsciente influência lobatiana.

Imaginem a seguinte situação: dois ex-empresários e professores universitários estão em editoras ligadas à universidade. Editora A e Editora B. Abro eu o jornal e me deparo com uma matéria enorme de livro publicado pela Editora A. Detalhe, o autor é professor da universidade da editora B. Eu já tinha ouvido notícias de amigos ligados a várias universidades que estavam recebendo convites para publicar pela Editora A e não estava entendendo porque não publicavam pelas editoras de suas universidades. Agora eu entendi. As editoras dirigidas por acadêmicos querem publicar o que os acadêmicos concordam. A editora dirigida por um ex-empresário quer um catálogo forte, rico, com autores de universidades diversas e áreas diversas. Ocorre que a Editora B tem entre seus árbitros um professor que tem parte do seu currículo no mundo empresarial e tem, na minha opinião, pelo pouco que conheço do seu passado, uma forte influência de Lobato. Sabedor de minhas atividades de especialista em Pedagogia da Imaginação perguntou: por que você não publica esses textos com a gente? Mais ainda, este árbitro ainda me deu a dica: acho que falta fazer tal e tal coisa. Ou seja, leu Lobato na infância, aprendeu a lidar com dificuldades e a propor soluções com a literatura dele e, provavelmente, a comprar terrenos para instalar o Mundo da Fantasia negociando com vizinhos e segue o exemplo dos personagens da primeira infância. Sem saber. Não é o máximo?

Pedagogia da Imaginação é isso. Já pensaram no efeito multiplicador se nós, brasileiros, fizéssemos conscientemente, como defendia Lobato, um esforço pedagógica nesta direção?

postado por: SONIA RODRIGUES



Terça-feira, Fevereiro 15, 2005

Pedagogia da Imaginação e Qualificação da Leitura

Tenho pensado muito na relação em teorias e literatura, entre literatura e vida. Especialmente entre literatura e vida, abstraindo aqui o caráter artístico ou não da literatura. Arte é um conceito datado, Shakespeare não era arte quando era vivo. Enfim, tenho pensado no peso de explicações totalizadoras nas histórias que se conta. Explicações a posteriori, claro.

Penso que o século XX foi, mais do que nenhum outro, um século racionalista por excelência, o momento de se explicar tudo, se prever tudo, se programar o que desse. A psicanálise cumpriu também esse papel e pela competência propagandística de seu principal líder e seguidores cumpriu com muita eficência. Não sei se a estrutura narrativa clássica, no cinema, por exemplo, estrutura linear, simples na base de causa e consequência, teria se espalhado por todo o tecido social e marcado tanto a literatura nos nossos dias, se não fosse a leitura que Freud fez de Édipo.

Édipo teria voltado para Tebas por fixação na figura materna, por pulsão de morte, por falta de amor materno, em suma, em consequência de alguma incompetência da mãe, Jocasta, ou por alguma incapacidade dele, Édipo, de lidar com o excesso de amor, falta de amor, pulsão de morte. A falta de amor como motivação de Édipo, li numa interpretação bem escritíssima de Hélio Pellegrino, no livro "Os Sentidos da Paixão". Michel Foucault esteve na PUC-Rio, na década de 70, e numa conferência, algo como A Verdade e as Formas Jurídicas, defendeu que Édipo comete a falha trágica de buscar o criminoso que, afinal, era ele mesmo, não por esses motivos freudianos, e sim por sua pulsão pela Verdade.

Minha questão é: quantos livros e filmes foram feitos nos últimos cem anos defendendo que amor de mais ou amor de menos leva as pessoas a se comportarem dessa ou daquela forma?

Quantas vezes, eu já assisti, em filmes ou na vida, as pessoas contarem histórias dizendo assim: fulano seguiu esse rumo porque foi criado dessa ou daquela forma, porque beltrano lhe negou (ou deu) isso ou aquilo... Na verdade, uma história bem contada é um conjunto de implicações, difícil de determinar qual é o ponto de virada, o que acontece para que as pessoas (e os personagens) reajam de uma forma ou de outra.

Quem escreve sabe porque está articulando elementos como se estivesse articulando depois. Ou seja, como se as coisas já tivessem acontecido. Criar uma história para ser contada é simular um pedaço de mundo. É amarrar num todo os elementos que possibilitam a interação de quem lê, assiste, ouve a história. Este todo só compreensível se houver interação com quem recebe.

Édipo Rei é considerada, por alguns, como a primeira história de detetives da literatura ocidental. Porque Jocasta deveria ter alguma razão oculta, psicológica para não reconhecer Édipo como filho quando ele lhe foi imposto como marido ao vencer a Esfinge? Ela era um prêmio, não estava ali para discutir, queria viver e deixar viver como qualquer mulher com o seu perfil. Perfil diferente do de sua filha com Édipo, Antígona. Mas não são apenas as diferenças entre as personagens ou pessoas. É como essas diferenças se articulam, são ações, decisões que vai se pesando, às vezes sem refletir, e mudam tudo.

Daí que o hábito de ouvir explicações simples, interagir com esquemas simples, o tempo todo acaba por nos colocar em risco de não apreciar mais a beleza da fatalidade encontrada em histórias de Shakespeare, Sófocles, Copolla ou Clint Eastwood. Ou nos impede de perceber que O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Guerra nas Estrelas têm final feliz porque são epopéias e na tragédias.

A tragédia é o altar de sacrifício do herói. Bem diferente da epopéia que pode ser apenas sua trajetória rumo ao objetivo maior. É talvez a diferença entre Édipo, Antígona, Heitor, de um lado, e Ulisses de outro. Ou a sereiazinha de Andersen, de um lado, e o terceiro filho de muitos contos maravilhosos, como A Princesa Ladrona. O herói da epopéia refaz caminhos, quando percebe que suas escolhas vão lhe levar para a falta de saída.

postado por: SONIA RODRIGUES



Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005

Física, Cinema e Pedagogia da Imaginação

A quinta pergunta de enredo do jogo Autoria de Criar História, baseado na minha tese de doutorado, é: existe algum problema, disputa, mistério nessa história?

A sexta é: os personagens têm um objetivo?

Que título você daria a esta história? É o sétimo e último passo para começar a se brincar de autor, sozinho ou em grupo.

Muito bem, hoje vivi uma experiência interessantíssima para uma escritora e roteirista que combina o trabalho artístico com a de especialista em pedagogia da imaginação.

Pedi a um físico, estudioso de Sistemas Complexos e Dinâmica de Populações que assistisse a um filme chamado Efeito Borboleta. Ele assistiu fez algumas observações estéticas que eu concordei e depois observou: o que me pareceu mais importante no filme foi que a modificação final que o personagem faz nos acontecimentos é uma modificação mínima, ele não mexe em nenhum antecedente catastrófico, mexe numa bobagenzinha e é isso que faz uma diferença enorme. Isto é o efeito borboleta.

Peraí, peraí, dirão os leitores desse blog. Que acontecimentos, que mexida é essa? Não vou contar para estimular vocês a assistirem o filme. Mas vou responder as três perguntas do Autoria para explicitar a relação entre Cinema, Física e Pedagogia da Imaginação.

No filme, todas as vezes que o personagem principal usa do seu poder de voltar ao passado para consertar alguma catástrofe na vida presente das pessoas que ele ama, a situação piora, ele desencadeia uma catástrofe pior. Qual o objetivo do personagem? Eliminar a causa da vida de cachorro sarnento que as pessoas que ele ama levam.

E qual é a questão do título?

Ah, aí entra a Física.

Transcrevo abaixo trecho de uma entrevista, digamos assim, que fiz com um professor/pesquisador da Universidade Federal Fluminense, Jorge de Sá Martins.

Efeito borboleta, me disse ele, é um exemplo do que nós físicos chamamos de caos determinístico. Uma pequenina flutuação na entrada, gera uma flutuação enorme na saída. Um exemplo grosseiro de caos determinístico que Robert May dá é o da decisão que uma borboleta faz, na floresta amazônica, de voar agora ou voar daqui a dois segundos e o impacto dessa decisão num tornado que vai acontecer no Texas daqui a seis meses. Por que é caos determinístico? Porque se eu levar em conta todas as casas decimais que envolvem esta decisão que a borboleta fez, eu vou conseguir prever a existência do tornado ou não.

Então o título do filme está relacionado com este exemplo de caos determinístico. Quando o personagem encontra a circunstância mínima que desencadeia as sucessivas catástrofes ele refaz o caminho, evita o tornado, vamos dizer assim.

Esse último parágrafo escrevo a partir do apreendi das palavras de Jorge de Sá Martins. Ah, é o Robert May, salvo engano meu, metereologista que 1971 estudou as características de sistemas complexos.

Agora vocês vão perguntar qual o conceito de sistemas complexos. Voltemos às palavras do físico:

A maioria dos sistemas são complexos, mas estudar sistemas complexos é um coisa difícil porque você tem que estudar muitas situações de meta estabilidade, é um conjunto de parâmetros muito grande, então numa primeira aproximação é mais fácil tentar estudar eles como sistema simples. Estruturas de relevo complexo são estruturas com situação de equilíbrio múltiplo. A crosta terrestre tem múltiplas situações de equilíbrio, não estáveis, meta estável. Meta estável é uma coisa que aparenta ser de equilíbrio porque fica parada durante um certo tempo, de repente, tem um cataclisma e ela muda de uma situação parada para outra. Cada uma dessas aparenta ser de equilíbrio, mas não é de verdade. Um sistema complexo se movimenta entre várias situações meta estáveis.

Vejam bem: o filme Efeito Borboleta é feito com uma fórmula simples que é a fórmula de um roteiro, a fórmula de uma narrativa épica, a fórmula do jogo Autoria:
existe uma situação de equilíbrio, ocorre uma mudança grave, alguém tenta resolver essa mudança (e assume o papel de herói), a mudança se resolve (quando o herói consegue retirar metaforicamente o farfalhar das asas da borboleta da jogada) e é instaurada uma nova situação de equilíbrio.

Eu poderia agora pegar uma outra observação do Professor Jorge de Sá Martins, dessa vez sobre sistemas simples, sobre pêndulos e discutir a diferença na ficção, no cinema e na literatura. A diferença entre sistema simples de produção da escrita que resultam em sistemas simples de enredo e sistemas simples de produção que, articulando estruturas de todo tipo em meta estabilidade, desembocam em sistemas complexos.

Não vou fazer isso porque não é o objetivo deste post. Vou apenas sugerir que vocês leiam Sidney Sheldon, qualquer título dele e comparem com Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez.

O objetivo deste texto, que já está ficando longo, é demonstrar que um físico que entenda um pouquinho da estrutura narrativa e tenha alguma prática de pedagogia da imaginação pode fazer o diabo em sala de aula.

É demonstrar que um filme bobo, apenas razoável pode discutir tópicos de Física com qualquer pessoa em situação de aprendizagem. Todos os tópicos de Física? Provavelmente não. Mas eu devo ter a mente menos aberta a esses conhecimentos do que um jogador de GURPS de 12 anos de idade, estudante da sexta série e consigo entender o necessário para aplicar no meu raciocínio.

Pedagogia da Imaginação é isso. É orientar a mente nos meandros da máquina narrativa, numa atividade de prazer como assistir filmes, ler livros, jogar Roleplaying Game ou Storytelling Game.

É treinar a mente em observar como os mecanismos narrativos se articulam, quais influências externas são mais ou menos importantes, em que momentos, como funcionam esses mecanismos para causar quais efeitos.

A capacidade de ser rápido na articulação de idéias, a de visualizar o que é narrado, a leveza ao narrar uma história, a habilidade de ser fiel à multiplicidade de conexões existentes na ficção e na vida e precisão ao descrevê-las são qualidades de um bom narrador que podem facilitar muito a aprendizagem de Física ou qualquer outra disciplina. Eu penso.





postado por: SONIA RODRIGUES



Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

JOGO DE PAPÉIS
Como sabe meu pequeno grupo de leitores fiéis, ganho a vida como especialista em autoria individual e coletiva, a partir dos meus estudos sobre jogos de representação (RPG), da minha formação lobatiana e da minha condição de herdeira de contadores de histórias.

Pois bem, uma das coisas que mais me orgulho na vida é do quanto sou autora. Posso ser incompetente em muitas coisas (e sou), posso custar a perceber enredos pessoais, confundir sentimentos e atitudes alheias, mas eu sei porque faço as coisas de um jeito e não de outro, sei porque tropeço na vida e sei como o jogo narrativo é fundamental para a gente conseguir manter a cabeça fora d´água.

Um dia desses, eu estava realizando uma oficina para mulheres de mais de 65 anos quando expus o conceito de herói e a diferença entre personagem e papel. Até hoje não entendi como as pessoas conseguem seguir vivendo se ter acesso a essas diferenças. Eu explicava que herói, numa narrativa, é quem repara a Perda, o Dano, um problema grave que quebra o equilíbrio de forma irremediável. Nada será como antes, depois da Perda. Mesmo que o herói consiga repará-la, o equilíbrio anterior não será restaurado.

Pois bem, uma das alunas ouviu a explicação e disse: então herói é quem sempre repara a perda. Eu esclareci: não, herói é sempre quem repara a perda. É completamente diferente. Herói não é o mais bonito, mais forte, mais inteligente, mais capaz num determinado contexto. Herói é quem, numa determinada narrativa, num determinado contexto repara uma determinada perda. É herói ali. Ponto. Herói é Papel e pode ser assumido por qualquer personagem que esteja disposto ou seja compelido a assumir este encargo.

Qualquer personagem pode ser herói, num momento, e auxiliar, vilão, adversário em outro contexto, em outra etapa da história. Da sua história, da história de sua comunidade.

Quem insiste em ser herói o tempo todo, ou ver heróis o tempo inteiro, ou exige que os outros sejam heróis o tempo todo, não sabe a diferença entre Personagem e Papel, nem consegue ser autor da sua própria vida. Vira joguete dos outros ou do destino e não jogador do mundo.

postado por: SONIA RODRIGUES



Domingo, Dezembro 05, 2004

CONVERSA IMAGINÁRIA ENTRE UMA ESCRITORA E UM MESTRE DE RPG
Escrever e fazer ginástica cinco, seis vezes por semana. Você faz?
Eu gostaria de fazer, não consigo mais gostaria. Ontem, andando pela Praia de Icaraí fiz uma lista de motivos. Nem todos publicáveis. Faço exercício porque me acho gorducha, depois que parei de fumar. Porque me anima. Porque me ajuda a suportar a ausência de pessoas importantes com as quais não posso conviver por motivos variados. Enfim, sol, água e suor são sinônimo de leveza para mim.

Malhar ajuda a escrever?
Tudo o que tranqüila o meu espírito ajuda a escrever. Não o que dopa, como álcool e maconha. Nicotina ajuda muito. Foi o mais difícil para mim. Separar cigarro de escrita.

Como é que você está escrevendo o novo livro?
Ando pelos lugares que meus personagens andariam meio em transe, aí localizo um canto e sei exatamente o que aconteceu ali. A cena vem inteira na minha cabeça, mesmo que não seja na hora. Fica armazenado em algum lugar na minha cabeça. A personagem principal chegava de barca no centro de Niterói que é muito feio. Quinta feira passei pela Estação de Charitas. Domingo escrevi a cena. Ela chega ali. Em junho, comi um sanduíche na padaria Uno & Due. Estava andando e sonhando, olhei para a direita (à esquerda fica o mar) e estava tudo pronto para mim, como é que aparece a ligação entre a moça que se mete numa cilada e o rapaz que é doido para se ferrar.

Então é só deixar o inconsciente funcionar?
Não. Tudo depende de intensa pesquisa. O inconsciente de um escritor é um programa treinado para armazenar dados e devolvê-los à tela em gráficos, em esquemas reconhecíveis pela maioria das pessoas ou pelo menos as pessoas que o escritor pretende que reconheçam.
Isto sempre funciona?
Quando não funciona, eu derrubo os gráficos, deleto os esquemas.

Quando acontece isso?

Agora mesmo aconteceu. Eu estou com uma personagem que é estudante de Física e eu pretendia uma trama científica, profissional para ela. Aí, conversando com dois físicos outro dia, vi que não funcionava. Vou mais longe, um deles me chamou para um seminário de mulheres cientistas e eu comprovei, ao vivo e a cores, que aquelas mulheres jamais agiriam como a minha personagem. Eu sou uma escriba muito obediente, nunca contrario minhas personagens. Apaguei tudo, estou procurando o meio da trajetória dela. Já sei o início, já sei o fim. Falta o meio. Vai aparecer.

postado por: SONIA RODRIGUES



Sexta-feira, Setembro 24, 2004

Internet e Pedagogia da Imaginação.
É muito importante demonstrar que a informática é compatível com a escrita e com a literatura. Acho que se a gente consegue estimular o uso do computador, da internet, de uma forma lúdica, interativa como no site www.professorautor.com.br teremos meio caminho andado para a pedagogia da imaginação no Brasil. E a gincana é isso, é uma brincadeira, um jogo, em que a gente propõe casar a parte cultural - de leitura e de escrita - com a informática.

Penso num professor que, por exemplo, faz um curso a distância no Cederj e aí ele vê o anúncio da gincana. É um estímulo para que ele procure um ponto de internet próximo à escola ou próximo à casa dele e participe. Porque dez minutos de internet num cibercafé custa R$ 1. O professor pode criar o hábito de ir duas vezes por semana, entrar e passar dez minutos ali, ou ele pode procurar bibliotecas que tenham internet... É um estímulo para que o professor descubra o potencial da internet, para estar ali, se divertindo, trocando, lendo o que os colegas escreveram, para ele também escrever...


A gente está procurando, com a gincana, criar um ambiente, que seria um ambiente ideal para a produção escrita. E o que é um ambiente ideal para a produção escrita? É um ambiente em que as pessoas têm segurança de que podem se expressar do jeito que elas conseguem e não vão ser reprovadas por isso. Mas, por outro lado, elas vão ter uma platéia, porque é uma comunidade virtual com 2 mil professores. Então, a pessoa deve se sentir à vontade para escrever o que pensa, o que acha. E, também, a idéia é que ela se acostume a ser comentada ¿ o professor ganha pontos quando escreve e quando comenta o que o outro escreveu.

Normalmente, as pessoas dizem "não, eu não estou criticando", como se a crítica fosse uma coisa ruim. Entrou um professor na gincana ontem. A atividade pedia uma coisa, e o professor colocou outra. E essa é uma das grandes dificuldades dos alunos, uma coisa que os professores vivem reclamando. Dizem: "ah, a gente pede uma coisa, o aluno faz outra". Só que nós também fazemos isso, o professor também faz isso, fazemos isso na vida. Então, a gincana é uma possibilidade de o professor, durante quatro meses ¿ a gincana vai de agosto a novembro ¿, ter esse exercício. Acho que pode haver aí uma mudança de mentalidade interessante entre os participantes a partir deste projeto .


postado por: SONIA RODRIGUES



Sexta-feira, Agosto 27, 2004

Para quem se interessa por Pedagogia da Imaginação e é professor ou conhece alguém que é professor, uma boa pedida é a gincana cultural Professor Autor (www.professorautor.com.br) . Destina-se a quem é professor regente, de qualquer série, do ensino fundamental e do ensino médio de qualquer lugar do Brasil.

Trata-se de uma comunidade virtual, com atividades lúdicas e interativas de leitura e escrita. Quem participar terá oportunidade de mostrar o que escreve, o que lê e de trocar experiências sobre leitura e escrita com colegas e com a equipe técnica do site.

A gincana dura de 20 de agosto a 20 de dezembro de 2004 e está aberta a 2000 professores, por ordem de inscrição. Os 2000 participantes
preenchem uma pesquisa sobre hábitos de leitura e escrita e recebem, na escola em que lecionam uma caixa do jogo Autoria de criar histórias.

A cada mês, dez professores com maior número de pontos ganharão coleções de livros das editoras Companhia das Letras, Record, Nova Fronteira,
Objetiva, Casa da Palavra e Estação Liberdade. O professor que fizer a maior pontuação ao final da gincana ganha uma viagem cultural, com
direito a acompanhante, para o Rio de Janeiro ou São Paulo.

Fiquei muito feliz com o comentário de Ana Letícia. Se eu fosse você estudaria RPG e formação de tribos urbanas. Tem tudo a ver e ninguém ainda estudou que eu saiba. Eu também vou adorar manter contato com você Ana. Se puder, divulgue a gincana professor autor.

O mesmo vale para você Douglas, vai ser muito bom se os professores de Divinópolis participarem do www.professorautor.com.br Para comprar o jogo, você pode entrar em contato com autoria@autoria.com.br usando o assunto: QUERO COMPRAR O JOGO AUTORIA.

postado por: SONIA RODRIGUES



Segunda-feira, Agosto 16, 2004

Alunos jogam RPG para aprenderem mais.

A folha de São Paulo abordou, nesta semana, um assunto muito interessante: A qualidade e utilidade para o aprendizado em sala de aula do professor que sabe contar histórias e propor desafios aos alunos.

Neste contexto verificamos a utilização, pelos pedagogos e professores, do RPG (Role Playing Game, algo como jogo de representação, em inglês) como ferramenta para o aprendizado, e interação do aluno. Os alunos escolhem um tema e juntos criam uma história, onde cada jogador é um personagem. O mais interessante é que em sala de aula não há perdedores, todos ganham conhecimento.

Luiz Henrique de Queiroz, de 10 anos, concorda. ¿Quando comecei, não sabia ler direito. Agora sei ler e escrever porque a gente batalha para resolver as coisas no jogo. Estou mais inteligente", diz.

Facilita o aprendizado do aluno o professor criar situações e desafios. Utilizar o RPG como ferramenta de criação, como estímulo à comunicação entre os indíviduos e estímulo à escrita pode ajudar muito. Só que alguns jogos de RPG exigem muita iniciação o que pode desanimar a maioria das pessoas. Por isso, eu e Maurício Mota criamos o jogo Autoria.

postado por: SONIA RODRIGUES



Sexta-feira, Agosto 13, 2004

O Roleplaying Game norte-americano, objeto da minha tese de doutorado, é um produto cultural que se aperfeiçoou, desde seu surgimento nos EUA em 1974, sempre na direção de possibilitar mais eficiência ao jogo e incorporar novos consumidores. A concorrência melhorou a forma ¿ inclusive no cuidado nas traduções ¿ resgatou a herança literária, construiu alianças paralelas à ¿pilhagem narrativa¿ entre os produtores dos livros de regras*.

Avaliar o produto cultural livro de regras de RPG do ponto de vista de matriz que se propõe a ¿ensinar¿ a jogar com ficção, é objetivo do meu livro que aconselho Fernando a ler como fonte para seu estudo. Procuro discutir se o objetivo do Roleplaying Game norte americano é expresso com clareza, qual a concepção que o norteia, que elementos da narrativa introduz, quais os seus limites na iniciação à narrativa. A minha impressão é que a pesquisa de Fernando começa deste ponto e vai adiante para criar um jogo. É isto mesmo?

Muito ainda precisa ser pesquisado, analisado, na direção de compreender como a atividade de imaginar atinge a juventude que se organiza em torno de um jogo de ficção. Quem são os jovens que jogam RPG? Que textos eles produzem? Pesquisas universitárias posteriores a minha se debruçaram sobre essas questões. A da Profa. Dra. Andréa Pavão é uma delas.

postado por: SONIA RODRIGUES



Terça-feira, Agosto 10, 2004

Dia 13 de setembro de 2004, a partir das 20 horas, na Livraria Argumento, no Leblon, lançarei o livro Roleplaying Game e a Pedagogia da Imaginação no Brasil com minha tese de doutorado em literatura + as experiência que desenvolvi com Maurício Mota com o jogo Autoria. Espero encontrar todos vocês por lá.

Espero que vocês participem bastante deste espaço. Jogadores de RPG, especialistas, professores, curiosos, escritores, leitores de aventura, interessados em ficção em geral. Aguardo as novidades.

postado por: SONIA RODRIGUES




Perfil
Sonia Rodrigues é doutora em Literatura pela PUC-Rio., onde pesquisou a literatura infantil de Monteiro Lobato no mestrado e o Roleplaying Game norte-americano no doutorado.

Escritora, filha de escritor e neta de contadora de histórias, sua prática profissional está voltada permanentemente para provar que qualquer pessoa, independentemente de idade ou formação, pode contar histórias. O que resta saber é: como se conta uma história emocionante que prenda a atenção do leitor do início ao fim? O que torna alguém um bom contador de histórias? Dá para aprender a criar histórias e personagens brincando? Um jogo de criar histórias em grupo pode ensinar a escrever?

Este livro busca responder essas questões através da pesquisa das qualidades e dos limites do Roleplaying Game norte-e-americano e através das aplicações da pedagogia da imaginação no Brasil.
O que se pretendeu discutir foi:
- As matrizes narrativas do RPG. A narrativa
épica,
- o conto maravilhoso, a narrativa teatral e o
folhetim;
- A relação do jogo com a ficção e a relação desta com a palavra jogo;
- A inserção do RPG no contexto da cultura de massa;
- O modo de produção de narrativas ficcionais por meio do RPG e os limites desta forma de narrar.
A Tese Sobre RPG
O objetivo central da minha tese foi estudar o Roleplaying Game como fenômeno da indústria cultural, com um modo de produção específico, exercitado no Brasil.Durante quatro anos, observei partidas do jogo, organizei dois seminários, uma na pós-graduação da PUC, outro no Centro Cultural Banco do Brasil, onde jogadores convidados debateram o RPG, entrevistei mestres e autores de Roleplaying Game, li, analisei os livros de regras de RPG. Em 1997, quando defendi minha tese, não existia estudo teórico, no Brasil, sobre ficcção produzida nas rodas de RPG. Como toda primeira abordagem, esta ainda é provavelmente incompleta. O objetivo deste processo foi estabelecer um diálogo entre interpretante e interpretado, para que o sistema do jogo fosse reconstruído e analisado. Não busquei definir a composição dos livros de regras de RPG ou dos milhares de narrativas produzidas pelos grupos de jogadores. Gostaria, sim, de discutir o que é RPG, como o jogo que produz narrativa ficcional e qual a sua linguagem narrativa.
RPG - Como se joga:
Como se joga: Crianças, adolescentes e adultos reúnem-se em torno de um “mestre” que prepara uma aventura com o auxílio de um livro de regras. Os jogadores são autores e, ao esmo tempo, roteiristas da ficção produzida em grupo. É um jogo onde não existem vencedores entre os que participam. Os derrotados, quando existem, são uma necessidade do enredo. O jogador assume a identidade de um personagem e finge sê-la durante o desenrolar da aventura. Esta personagem é construída, elaborada numa ficha de forma detalhada, trabalhosa, como detalhado e trabalhoso é o caminho da criação. Estas fichas são decisivas para o desenvolvimento da narrativa.
Links